Você tá sentindo como se a gente tivesse num limbo curtinho entre a Copa do Mundo e as eleições? A gente podia estar aproveitando essas semanas com o Hexa… mas quantas campanhas você viu por aí caírem ou serem redesenhadas com a eliminação precoce do Brasil?
Até pedido duplo de roteiro a gente viu: uma se o Brasil passasse, outra se fosse eliminado. Mas até quem foi precavido se deu mal. Fica sem clima depois de um baque desses.

Tarifaço e a Creator Economy
Diversificar sua presença digital é a blindagem pra quando construimos uma casa em um terreno alugado
O governo Trump confirmou as ameaças de um novo tarifaço e o colocou em ação. Desde ontem, uma série de produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos - nosso segundo maior parceiro comercial, sofrerão uma sobretaxa de 25%. Claro que uma série de produtos interessantes para os EUA foram tirados dessa lista, como café e carne bovina. A medida atinge setores gigantes como manufaturados, calçados, móveis e máquinas e, ao que parece, boa parte dessa história se deve ao PIX, que já é o meio de pagamento preferido dos brasileiros, mas desestimula as transações em cartão, desfavorecendo o lucro das empresas estadunidenses do setor.
Além da discussão diplomática e comercial, essa história escancara o quanto a nossa economia pode estar vulnerável e exposta a decisões políticas externas, sem que a gente tenha muito poder sobre elas.
Mas e aí: impacta ou não?
Direta ou indiretamente, a resposta é sim. Seria muita ingenuidade achar que o nosso mercado vive isolado, ou blindado de decisões dos governos dos países. E, pra entender melhor o cenário o que é “estar na mão” de outro país, a gente sabe muito bem explicar.
Diariamente nas redes sociais, trabalhamos sob regras e algoritmos que não controlamos, não prevemos e quase não conseguimos acompanhar a velocidade das mudanças. Ficamos totalmente à mercê.
“Criar conteúdo numa rede social é como construir uma casa num terreno alugado.”
Você não controla como o seu conteúdo vai ser distribuído pelo algoritmo, não sabe por quanto tempo ele vai continuar entregando alcance, e muito menos o quanto vai conseguir monetizar em cima - se é que vai receber algum dinheiro.
Olhando por outro ponto de vista, dá para trazer a "publidependência" pra esse papo: não é estratégico que um creator tire sua renda apenas de publicidade. E se um dia o mercado satura? As marcas desistem de você e o hype que te jogou pros holofotes evapora.
Só um pequeno detalhe importante, temos uma carta na manga que mais ninguém tem, o nosso molho.

Faz tempo que a gente deixou de ser copiador de gringo pra virar referência global em linguagem, engajamento e cultura digital. O tal do "molho" nada mais é do que a nossa capacidade absurda de criar conteúdo, narrativa que envolve e conversas que fazem sentido e ligam marcas às comunidades. Mas nem só de molho vive o creator. Ou molho paga boleto e a gente não tá sabendo? Talvez essa história do tarifaço possa colocar a gente pra pensar em caminhos de transformar esse capital cultural em soberania nacional, usando a audiência das redes como vitrine para construir ativos que sejam de fato nossos.
Vem aí a primeira... calma, pêra.
Apesar de ser divertido pedir sugestões de nomes para uma rede social 100% brasileira, a moral da história é que nacionalizar a parada não é o que vai resolver o nosso problema: a gente sai da mão dos gringos - que, bem ou mal, formaram o contexto pra gente chegar até aqui, e fica na mão do governo? Ou de uma Big Tech brasileira? A solução tá em pensar mais em saídas como a gente fez no movimento contra a "publidependência".
A Bianca Andrade fez exatamente isso quando rompeu com grandes grupos de cosméticos para assumir o controle total da Boca Rosa, criando uma empresa própria de maquiagem em vez de fazer mídia para os outros. A Julia Petit usou a escuta ativa da sua comunidade para fundar a Sallve. O Iberê Thenório pegou a autoridade do Manual do Mundo e transformou em produtos como jogos e livros.
Nossa querida Lela Brandão fundou a própria marca de roupas confortáveis - uma dor que ela tinha com outras marcas quando consumia, e encontrou em sua comunidade de gostosas que se identificavam. Olha quanta coisa maneira foi criada no Brasil, para brasileiros.
Soberania não é sobre ter o servidor em solo nacional, mas sim sobre ter a propriedade intelecutal dos dados e do caixa - alô nosso pastor Jim Louderback que já falou sobre isso no SXSW deste ano. Negócio é o seguinte: as redes vão continuar sendo Big Techs, e a gente vai continuar usando o nosso "molho" para dominar o engajamento nelas, como a gente faz do Oscar à Copa do Mundo.
O grande sacada do lance todo é parar de trabalhar para a plataforma e passar a usá-la, como um funcionário do nosso próprio negócio.
Usando o exemplo dito lá em cima, precisamos transformar a relação com a audiência de um "aluguel" para termos a nossa "propriedade".
O primeiro passo é investir nas mídias que o próprio creator desenvolve para a sua engajada comunidade. Suas métricas estão no Instagram ou no TikTok, mas você também pode oferecer uma newsletter semanal e cobrar por isso, ou então ter algum tipo de financiamento coletivo; entrar para o time dos afiliados, lançar sua marca de roupa, cosmético, ou produtinhos artesanais… são inúmeras as opções e você sempre pode inventar algo que ainda não existe no mercado.
Esse comportamento vai migrar o público do algoritmo pra canais diretos e sem intermediários, como comunidades fechadas e ecossistemas de vendas próprios.
As marcas entram na jogada porque também podem participar dessas conversas que estão rolando entre creators e comunidades, só que de um jeito até bem mais íntimo. Uma indicação de um apresentador da TV que você gosta e sabe que comunica para millhões de pessoas tem um peso. O seu creator preferido falar em um grupo restrito, tem outra medida.
Quando o creator usa as redes como vitrine de topo de funil para construir um patrimônio real e independente fora dela, a dependência deixa de ser uma ameaça. Ter a audiência mais engajada do planeta e a criatividade mais elogiada não vai adiantar nada se a gente continuar sendo apenas inquilino.

A influência dos influencers
A maioria das pessoas prefere pedir indicação para quem "é de casa" na hora de comprar alguma coisa: seja um familiar, amigo, ou o creator que você acompanha e parece que mora junto contigo.
A partir dessa observação, o Statista Consumer Insights pesquisou qual é o poder de influência dos creators e influenciadores em cada país. Adivinha quem tá no topo da lista?
A pesquisa — que reflete bem o público conectado, mostra que a palavra dos creators fala mais alto na hora da compra em países como Brasil, África do Sul, China e Índia.
No resto do mundo, a ideia de comprar o que o influenciador indica também vem ganhando corpo. Países como França, Áustria, Bélgica, Holanda, Suécia e Japão ainda estão no time dos mais céticos, embora a audiência dos creators esteja crescendo por lá também.
A reflexão a partir desses dados vem de um comentário no post: "Nossa, os franceses são inteligentes!", como se comprar um produto a partir da dica de um creator fosse algo ruim.
Em algumas vezes é, como no caso das bets, por exemplo. Tem quem instigue você a jogar no Tigrinho e ainda por cima lucre com o dinheiro suado que você perde.
Mas o nosso rolê todo não é sobre mostrar as outras várias situações onde o creator cai como uma luva nas campanhas publicitárias?
Talvez esse seja o empurrãozinho que a gente precisava para retomar o hábito de criar conteúdo. Papel e caneta na mão.
Estamos apenas a um passo...
De uma grande ideia. 💡
(Texto inspirado na News #65 da YOUPIX. Para aprofundar, corre pro @instayoupix e receba em primeira mão, o olhar do todo o time YPX :)