Náufrago do colapso

Um minuto para o fim do mundo. 

Você também tá exausto?

Então precisa ouvir isso hoje...

Não existe almoço grátis, a conta não fecha.

Ao longo da história a gente já foi assolado por previsões apocalípticas como bug do milênio, o grande tsunami de 2012, mas estamos aqui.

A bola da vez é o fim da humanidade pelas mãos ou tentáculos digitais, da inteligência artificial. O quanto de verdade existe nessa história com origem simples, e como a gente pode aliviar um pouco a nossa dor?

Combo perfeito: IA e El Niño

Em busca de mais razão e menos emoção, diante de um cenário alarmista

"Acredito que, se não diminuirmos o ritmo atual de progresso, há uma grande chance de todos morrermos em um futuro próximo."

Esse foi o alerta feito por Jacob Coxon, pesquisador que pediu demissão da Anthropic, empresa criadora do Claude. Em entrevista à BBC, ele conta que passou os últimos três anos trabalhando com pré-treinamento de modelos de inteligência artificial — primeiro na OpenAI, depois na Anthropic, mas pediu demissão recentemente e viralizou no X.

Em seguida, o ex-chefe de Coxon, Dario Amodei, diretor da Anthropic, pediu que o ritmo de desenvolvimento de modelos de IA seja desacelerado e monitorado de perto.

Por trás do desespero

Assim como a gente viveu uma corrida pelo espaço no século passado, com EUA e URSS disputando quem tinha melhores tecnologias pra explorar o que tá fora do planeta Terra, depois sofremos com o medo da Guerra Fria e o mundo inteiro ser destruído por bombas atômicas, agora chegou a vez da IA.

"Acreditamos que estamos em uma corrida e queremos que os EUA vençam."


Disse David Sacks, responsável pela política de criptomoedas no governo americano, em entrevista a jornalistas em julho de 2025, publicou a BBC.

Existe uma corrida entre as Big Techs ocidentais com a China, pra ver quem desenvolve mais e melhor a inteligência artificial, sendo fundamental fazer isso o mais rápido possível, antes que o outro lado chegue em determinado ponto. Mas que ponto estamos falando? Bom, isso só eles sabem.

Coxon reconhece que é preciso desacelerar essa corrida pela inteligência artificial, contanto que esse movimento seja coordenado com a China, para evitar o acirramento dessa disputa. Esse contexto é importante, porque além da questão da tecnologia, também estamos no meio de um conflito geopolítico.

Primeiro, o cenário.

Evan Hubinger, cientista da Anthropic, chamou a atenção ao afirmar que há mais de 10% de chance de a IA "matar todos os humanos" na próxima década.

Essa declaração do Evan, junto com a do Jacob, provocou um belo barulho nas redes sociais, porque vivemos em um momento de muito medo e pouca informação sobre até onde a inteligência artificial pode chegar.

E não pense que o momento é de algumas semanas pra cá, viu? Nos anos 1950 o cientista Alan Turing, o “pai da computação”, já falava sobre o “máquinas inteligentes assumirem o controle”, caso se tornassem possíveis.

O ponto central é que, depois de atingir determinado nível, a IA possa se aprimorar sem participação humana.


Em pleno 2026 elas já estão a todo vapor e fazem parte das nossas vidas, ainda que operem em sistemas que a gente mal saiba como funcionam. Na corrida pela IA “superinteligente”, o risco é da tecnologia se tornar superior à inteligência humana, bem além da ajuda na hora de escrever um e-mail ou pra geração de conteúdos.

Um dos cenários IApocalípticos (esse trocadilho foi pensado sem ajuda da IA), descrito por Dario Amodei, é o de “um enxame de bots agindo como um supercomputador que poderia dominar a internet.” Logo, não dá pra gente cravar o que de fato aconteceria nesse colapso provocado pela IA, tampouco em quanto tempo, mas dá pra imaginar o estrago quando a gente olha pro tanto da nossa vida que é organizada via internet - principalmente o nosso dinheiro, já pensou nisso?

Para Joe Tidy, correspondente de tecnologia da BBC, outra hipótese é a de que confiaremos tanto na IA que ela poderia manipular governos, causando guerras e conflitos, mas o grande entrave é o de que os humanos poderiam "ficar no caminho" do desenvolvimento da IA. Sendo assim:

"A IA poderia desenvolver um patógeno único que só mata a vida orgânica, ou só os seres humanos. Sei que parece que eu tô maluco dizendo isso, mas são esses cenários que preocupam de verdade as pessoas".

Aliás, pra quem é fã de se desesperar por FOMO e hype, dá uma olhada nesse vídeo da BBC Brasil, que é de um ano atrás. Isso mesmo, mais de um ano até. Olha quantos meses você já viveu sem nem ligar pra esse assunto…

Agora, o contexto todo.

Assim como a gente bate na tecla de que a internet já não é terra sem lei, mas precisa de cada vez mais regulação pra gente evitar a exposição de menores, a desinformação e a manipulação por meio das mídias, a IA também é um terreno que precisa de mais atenção. Geoffrey Hinton, Prêmio Nobel e pioneiro da IA, explica que a saída é encontrar como desenvolver a IA com a segurança de que ela não chegará a esse ponto de dominação da inteligência humana:

"A gente nunca viveu algo parecido antes, de criarmos seres que podem ser mais inteligentes que nós. Não sabemos o que vai acontecer, então, obviamente, devemos ser cautelosos. Ninguém sabe como calcular o risco [de a IA exterminar a humanidade], mas um risco de 10% não me parece irreal."

Para a Travahacker, cofundadora e Diretora Institucional do Código Não Binário, e eleita pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes sobre inteligência artificial, a grande disputa em jogo é sobre poder, não sobre o domínio das máquinas:

"A gente precisa conversar sobre isso de maneira séria, não simplesmente tratando como hype ou estratégia pra inflar o valor dessas empresas. Os modelos de IA estão ficando cada vez mais capazes, então existem questões reais sobre esse controle.

Mas, quando a gente começa a se perguntar se a humanidade vai perder esse controle sobre as IAs, parece que existem dois lados: a humanidade e a tecnologia. Só que essas tecnologias são desenvolvidas dentro de uma sociedade específica e para interesses específicos. Talvez o sistema que esteja saindo do controle não é o da IA, mas o capitalismo e essa corrida pela IA.”

Ela argumenta que, dentro dessa lógica de corrida e da disputa geopolítica entre o ocidente capitalista e o desenvolvimento estatal chinês da IA, as máquinas não precisam se rebelar contra a humanidade pra serem "exterminadoras do futuro". Elas podem simplesmente funcionar dentro de uma sociedade catastrófica.

Bora surtar ou curtir o fim de semana?
Se a gente for se alarmar por cada risco que a humanidade corre, a gente realmente não vive mais. Vamos apenas de lembrar que, muito antes do risco de extermínio por IA, o aquecimento global já tá ardendo a nossa cabeça, literalmente. A IA que entre nessa fila.

Inclusive, estamos diante do Super El Niño, que pode ser o mais intenso já registrado na história.

Por fim, independentemente de como a gente vai fazer isso, já deu pra sacar que a única solução possível e definitiva pra esse surto de IA é a regulamentação. Todas as empresas e Estados que desenvolvem IA precisam frear toda essa corrida, que é a única responsável pelo medo de perdermos o controle sobre uma tecnologia que nós mesmos estamos criando.

A gente adora um cenário cyberpunk, mas essa treta diz muito mais sobre geopolítica do que sobre tecnologia. Pelo menos, por enquanto.

Você está preparado?

(Texto inspirado na News #73 da YOUPIX. Para aprofundar, corre pro @instayoupix e receba em primeira mão, o olhar do todo o time YPX :)

Leonardo Coletti

Leonardo Coletti

Jornalista, DJ e Creator.
Brazil