Viralizou uma entrevista do ator e roteirista Matt Damon, no início deste ano, dizendo que a Netflix pede roteiros que pensem no usuário distraído que estiver assistindo. Ao podcast de Joe Rogan, ele contou:
"A forma como nós aprendemos a fazer filmes de ação é ter três atos bem divididos, com acontecimentos que vão escalonando e um grande clímax explosivo no final, que é para onde vai a maior parte do dinheiro"
"Agora, eles pedem que exista algo grande nos primeiros cinco minutos, para prender a audiência."
"E eles também pedem que, se possível, a gente possa reforçar umas três ou quatro vezes no diálogo o que está acontecendo, porque as pessoas estão assistindo ao filme enquanto estão em seus celulares." Relatou o ator.
E mesmo sendo parte desse movimento empobrecedor de roteiros, não é que muita gente ficou surpresa? Isso porque a gente consegue reconhecer facilmente o comportamento de segunda tela em outras pessoas, mas raramente a gente assume que faz igual - ainda que só de vez em quando.

No futebol isso já era realidade.
O jornalista britânico Tim Vickery, que cobre o futebol brasileiro há 3 décadas, uma vez comentou durante o programa Redação Sportv que sintonizou em dois jogos ao mesmo tempo. A ideia era tomar notas para os seus comentários no programa do dia seguinte, mas ele acabou não prestando atenção direito em nenhuma das partidas.
No exemplo do Tim, a sua segunda tela era o próprio futebol, mas desde que o autor da News se entende por gente, era comum assistir aos jogos comentando no Twitter simultaneamente, ou com amigos por mensagem. Esse conceito de segunda tela vira sinônimo de celular justamente quando surge o feed infinito, principalmente no formato de vídeo curto. E aí, ao invés de interagir com o futebol de alguma forma, já que você tá falando sobre o jogo com outras pessoas, você permite que sua atenção seja roubada por vídeos que, provavelmente, vão ser completamente esquecidos alguns segundos depois de vistos.
Tem também o fenômeno das bets, que hoje dividem o conceito de segunda tela com os vídeos. Milhões de pessoas costumam assistir futebol com o site da casa de apostas na mão, pra poder finalizar a bet caso os rumos da partida mudem, ou então, pra betar ainda mais.
Mesmo se o filme estiver ruim, não faz parte da coisa “perder” esse tempo? No futebol não é bem assim. O único argumento válido de quem é fã do futebol americano é o de que, no futebol de verdade (desculpa a brincadeira), um empate pode acontecer. Ninguém vence o jogo. E pior: pode terminar sem gols. Então não é que ver um jogo de futebol com uma segunda tela passando outra coisa seja o fim do mundo. Mas também dá pra ir além nesse pensamento.

Segunda tela também significa conversa
Como a gente falou ali em cima, era comum, há uns 15 anos, assistir a um jogo comentando sobre ele em grupos ou redes sociais. Isso é interação, o que significa que tem uma conversa rolando ali. Alô marcas, alguém quer participar?
Nesta semana, a gente expôs um montão de possibilidades pra creators e marcas se envolverem com o maior evento esportivo do planeta, com o lançamento da pesquisa “Re:Lance, a Copa 2026 na Creator Economy”. Seguindo, é claro, uma máxima que você que tá lendo já deve ter decorado: "Na publicidade você paga para interromper a conversa, na influência você participa dela".
O orgulho do brasileiro pela Copa guia o nosso comportamento, então os hábitos e rituais sobre assistir aos jogos foram pra web. Prato cheio pra quem quer impactar uma comunidade usando a linguagem que ela já tá habituada. É tipo sentar com essa comunidade no sofá pra ver o jogo.
Como a gente já comentou em alguns materiais neste ano, a Copa não começa no apito inicial pro brasileiro, mas ela já tá rolando no clima, na expectativa e na preparação. É um dos raros momentos em que a atenção coletiva se organiza em torno de um mesmo tema - e isso deve ser aproveitado. É tipo os planetas se alinhando, quem vai querer ficar de fora?
Durante décadas, a Copa do Mundo foi território da TV, mas esse modelo se transformou quando o streaming entrou na disputa - e o futebol é um dos principais motores dessa mudança: o modelo da Cazé TV é reconhecido pelo mundo inteiro e novos players crescem impulsionados por gerações que já não dependem da TV tradicional e por um comportamento cada vez mais digital, multitela e sob demanda.
Mais do que onde assistir, muda como se consome: transmissão vira conteúdo, corte vira formato e creator vira mediador da experiência. O streaming esportivo passa a ser parte central da Creator Economy.
Alguns dados relevantes que a gente mostrou na pesquisa: 70% dos brasileiros já está consumindo conteúdo sobre a Copa, enquanto 95% dos fãs de esporte vão assistir aos jogos do torneio (Fonte: “O Brasileiro e a Copa: Consumo, Mídia e Influênciaˮ por Resenha Digital Clube à Data-Makers). Ainda, 97% da GenZ assiste à Copa de alguma forma e, pra esse textão, o dado mais relevante é o de que 74% acompanha jogos enquanto usa redes sociais (Fonte: InstitutoZ + Trope, Copa 2026, 2025 / InstitutoZ - Dopamina League, 2025).
E se ainda estiver difícil enxergar como é possível entrar na conversa da Copa sem estar no estádio, ou ser uma marca patrocinadora do evento, basta ampliar os horizontes e entender que vlogs, reviews, bastidores e rotinas transformam experiência em conteúdo, porque o impacto precisa acontecer em toda a jornada que envolve a vivência do futebol.
Resumindo: a transmissão virou conversa. A Copa não acontece mais só na TV porque se expande em múltiplas telas, plataformas e interações em tempo real. A experiência deixa de ser linear e passa a ser coletiva.

@Alô, marcas!
Patrocinar o evento ou aparecer nas transmissões já não garante mais relevância cultural. A disputa agora acontece na interpretação do momento e na capacidade de participar das conversas que emergem em torno do jogo, além de dialogar com as comunidades que acompanham o evento.
Um ponto importantíssimo de atenção: essa Copa deve ser a mais politizada do século, principalmente por ser a primeira na história em que o país-sede ataca um outro país classificado para o torneio - e ainda há incertezas sobre como se dará essa dinâmica. Por isso, não adianta fingir que esse contexto não existe.
Se sua marca já é cobrada em temas como diversidade, direitos humanos ou posicionamento social, vale estar preparada. Em um evento dessa escala, gestão de crise e sensibilidade cultural deixam de ser opcional.
E lembre: quem sabe conversar com a arquibancada é o creator. Às vezes, o melhor movimento é dar espaço para ele interpretar o momento.
Marca, o grande risco nessa Copa é fazer "mais do mesmo". Para gerar conexão real, é preciso trabalhar com creators que já têm legitimidade nesses territórios e construir junto. E lembre-se de que a Copa não é um momento de interromper, mas de participar. Chama o creator pra decisão da narrativa, não se trata de encaixar a marca no jogo, mas de entender em qual conversa faz sentido ela existir.

Quem nasceu até o finzinho do milênio passado ainda conseguiu viver um equilíbrio muito maneiro entre o analógico e o digital mas, mesmo assim, a única possibilidade que eu tinha de cobrir uma Copa do Mundo por conta própria era escrever num blog. E isso já parecia uma baita oportunidade.
Hoje, você pode montar um verdadeiro estúdio de transmissão na sua casa, por um valor mais acessível do que nunca, bastando um celular com internet - mesmo que ele não seja dos melhores. O combustível para o trampo deixa de ser a estrutura de um grande veículo pra se resumir à sua vontade de fazer acontecer.
Por isso, a Copa do Mundo deixa de ser apenas um território de cobertura esportiva e passa a ser matéria-prima para discussões mais amplas sobre identidade, comportamento, estética, política e pertencimento. Fora que, mais do que nunca, a Creator Economy está estruturada pra qualquer creator voar baixo durante os 40 dias do torneio.
Na internet, fica ainda mais evidente que não são só os comentaristas esportivos que falam sobre o torneio. Historiadores, sociólogos, creators, ativistas e comunidades inteiras também interpretam o evento.
Isso significa que você não precisa falar só de jogo. Dá para falar de história, cultura, identidade, política, comportamento e muito mais. A Copa é um território cheio de histórias e cada creator encontra seu próprio ângulo.
Creator, explore a sua brasilidade porque o nosso molho tá custando caro pelo mundo inteiro. Mas não adianta só replicar trend, copiar estética ou surfar no hype, tá? O que vai te diferenciar (como sempre) é sua autenticidade e poder de traduzir a nossa cultura com olhar próprio e relevância pra sua comunidade. E não espere o a Copa começar, porque a conversa já começou. Ative sua comunidade agora, pra ter atenção durante e monetizar depois.
Pros creators, é importante ter logo a dimensão de como juntar criatividade humana com a tecnologia (por exemplo a IA) transforma um conteúdo legal em um resultado de negócio.
Por isso, mídia paga não é muleta, porque ela só traz resultados se o conteúdo for autêntico - e não simplesmente tentar agradar todo mundo.
Você é influenciador, não vendedor.
Apesar da gente falar muito sobre como o creator tá sim se tornando vendedor, é importante destacar também que isso só deve acontecer quando for vontade dele.
O creator kingpingold dá um chega pra lá nas marcas que tentam lucrar em cima do trampo de quem cria conteúdo com base em permutinha falida e presença em evento que te dá o produto da marca de brinde.
Todo mundo vai falar da Copa e a disputa por atenção nesse período talvez seja mais brutal do que a disputa pelo hexa. Como você vai entrar nesse papo sem parecer oportunista?
71% dos brasileiros pretendem acompanhar a Copa do mundo em 2026. Um percentual 12% acima da média global. Quer saber mais?
Para conferir o Re:Lance! [clique aqui]
(Texto inspirado na News #51, para aprofundar os assuntos, corre pro @instayoupix e receba, em primeira mão, o olhar de todo time YPX :)