Com ou sem performance

"Valeu, Natalina!"

A única certeza que temos é que tudo muda ao mesmo tempo todo. Em 2025 não foi diferente. Um ano que não foi nada fácil, os holofotes oscilaram entre o mainstream e as comissões parlamentares de inquérito.

Esse caos todo virou pauta de política pública, saímos da maturidade para entrar na era da performance, onde a influência precisa, enfim, entregar negócio.

Como sempre, em dezembro, a sensação é de que tudo aconteceu mais do que nunca, que foi o ano mais cansativo de todos, e que as paradas que rolaram em janeiro fazem tanto tempo.

A verdade é que sempre é assim, em termos de sentimento, e a única coisa que muda mesmo do dia 31 pro 1 é o número do ano. Você sabe. Mas parece um tempo distante mesmo lembrar da tal planilha da influência, que agitou os bastidores de janeiro com as fofocas de como influenciadores agem nos jobs.

Ainda teve a Virginia na CPI das Bets, hein? Foi um verdadeiro circo que fez mais bem pra imagem dela do que chamou atenção para o problema. Esse tema ainda tá fresquinho na mente, porque se desenrolou durante o ano inteiro. Não foi um assunto que passou, como geralmente acontece com quase todo tema.

E, infelizmente, não deve passar num futuro muito próximo... as bets vieram pra ficar e já somam uma boa fatia do PIB brasileiro. Já abocanharam o patrocínio de 18 dos 20 clubes do Brasileirão 2025, chegaram na televisão em horário nobre e fez muita gente perder a vida - ou a vontade de viver - por conta do vício.

Ainda teve aquele lance da "Faculdade" de Influência que... ah gente, o texto hoje vai ser longo, mas tem coisa que não vale comentar. Aí chegamos até as denúncias sobre "Adultização", puxadas principalmente pelo criador de conteúdo Felca, que foi parar até no Fantástico. A impressão que dá é que a gente sempre soube do perigo de alguns conteúdos na internet chegarem às crianças, mas nunca fizemos nada sobre. Ou nunca sentimos que essa bomba pudesse cair em nosso quintal.

Definitivamente, foi um ano agitado pra Creator Economy, que se transforma na velocidade da luz, como a gente sempre faz questão de lembrar por aqui.

E, diante de tanta coisa errada no nosso mercado, seja moralmente ou de processos mesmo, urge a necessidade de amadurecer e se profissionalizar, pra evitar que certos comportamentos, atitudes e ideias continuem passando despercebidos e entrando em nossas vidas, como se nada tivesse acontecido.

Um marco temporal importante que a gente destaca é o da pandemia: com quase todo mundo de repente em casa, o nosso jeito de consumir conteúdo mudou e acelerou uma tendência que o mercado já observava com relação à TV e aos conteúdos digitais. Assim, as lives tomaram a nossa atenção, o YouTube virou a “novela das 9” de muitas famílias e o consumo ficou mais fácil do que nunca, a um clique de distância.

Todo esse período abriu os olhos das marcas que ainda não davam bola pro marketing de influência e, em 2025, este segmento passou a ser central na estratégia de mais da metade das empresas. Não dá mais pra ignorar o que dá certo, mesmo quando parece difícil mensurar. Então vamos à parte prática.

Diversificação vale pra todos
Quando enfatizamos que a publicidade não deve ser a única forma de ganhar dinheiro, não é só pra quem cria conteúdo que isso vale.

Agências, produtoras, plataformas e hubs digitais também precisam diversificar modelos de receita e operação.

O mercado vem sinalizando isso desde 2022, diversificação é uma questão de sobrevivência: quem não expandir, encolhe, pois não vai conseguir atender todas as necessidades e demandas do mercado.

Mesmo com recordes em negociações de #publi, ninguém sustenta negócio apenas na lógica da campanha - e, ainda por cima, num mercado aquecido como no Brasil, onde milhões de pessoas se vêem como creators.

Simplesmente não tem tanto job. No fundo, estamos diante de um movimento muito semelhante ao que o próprio mercado de comunicação viveu: fusões, aquisições e integrações de serviços.

Só que agora essa reorganização nasce do coração da Creator Economy: onde conteúdo deixa de ser fim e passa a ser o início de um ecossistema de negócios.

Parece que o mercado de influência começa a entrar em concentração, um fenômeno que pode ocorrer em todo mundo.

Enquanto o Podpah, que estourou na pandemia como um videocast, investiu R$ 9 milhões pra virar TV Digital, a CazéTV arrecadou R$ 2 bilhões com patrocínios pra Copa do Mundo de 2026 - isso, sem mencionar o fato de que o Casimiro ainda assumiu participação na sociedade da LiveMode global.

E novas concorrentes surgem, disputando esse espaço que, tradicionalmente, era ocupado pelos canais de televisão: a Globo lançou a geTV, que bate de frente com o jeito irreverente da cobertura esportiva da CazéTV, mirando no diferencial de não se descolar do jornalismo, como acabou fazendo a rival carioca, ao investir mais na figura de ex-atletas do que de profissionais da comunicação.

Se até a Globo entrou nessa onda, para mostrar o quanto ela é fundamental pra se sustentar na Creator Economy de hoje (e amanhã): imagine a quantidade de hubs, cursos, nichos de negócios, branded content, módulos de IA, estrategistas, influência, integração, chatbot, tecnologia; além de workshops para diferentes soluções.

Isso porque o creator é uma empresa, e precisa se ver como tal. Marcas e investidores olham pra eles como empreendedores, não só como mídia.

O tempo das métricas vazias acabou e só cresce quem entrega profundidade, constância e engajamento real. Sem estratégia, não há espaço. Portanto, creators deixam de ser o fim da campanha e viram o início de um negócio completo, que conecta conteúdo, produto, dados e comunidade. Ainda assim, provar que Marketing de Influência funciona continua sendo perrengue do mercado.

A pesquisa ROI & Influência de 2025, realizada pela YOUPIX, com a Nielsen, mostrou que a maior barreira pra aumentar o investimento está ligado a essa dificuldade, em medir e quantificar o retorno sobre o valor investido.

Mesmo maduro, com novas ferramentas e recursos, as métricas da vaidade é um dos principais motivos pra superar no momento.

O mercado ainda trata view como sucesso.

Mas visualização não é prova de influência. É preciso mostrar que o like provocou mudança. A percepção virou decisão, ação de compra.

Se antes uma campanha viral era considerada bom sinal, agora a pergunta é: o que ela trouxe de volta em construção de marca e comunidade?

O ROI deixa de ser somente clique e vira cultura + performance. É quase cômico ver o mercado recaindo no velho vício de “quantos seguidores tem?”. Em 2026, isso é inconsistência metodológica.

Por isso, marcas que não medem, apostam no escuro. A pesquisa da Influência no Consumo, YOUPIX & Nielsen 2025 aponta que existe relação direta entre Influência e consideração de compra, mas sem integração de métricas e fontes, é difícil comprovar ROI em grande escala. Acontece que a influência será cada vez mais integrada às estratégias de negócio — e, para isso, precisa de dados claros.

Marcas que ainda operam no escuro, sem ferramenta ou critério de avaliação, vão perder espaço (e verba). Do mesmo jeito, criadores de conteúdo sem dados viram risco. Enquanto, com dados, viram ativos estratégicos.

Quantas horas cabem no seu dia?
Um dado chocante, mas que surpreende um total de zero pessoas: 70% das campanhas de influência são feitas em menos de 1 semana, enquanto o prazo de aprovação da marca geralmente é maior do que isso. Pensando em todos os players, marcas, anunciantes e creators do mercado publicitário: mais tempo de aprovação do que criação? Isso faz sentido?

A gente chama isso de "pastelaria", porque parece que é só escolher o sabor e fritar, pronto. Ainda, 1 em cada 2 agências acreditam que as marcas esperam resultados irreais nas campanhas de influência. Sem tempo de sequer planejar direito uma boa estratégia, como esperar um resultado fora da curva?

Uma solução que a YOUPIX apontou para reduzir esse dano é aprender a usar I.A, que pode desburocratizar processos - principalmente os mecânicos e repetitivos - para ganhar tempo e focar no processo criativo, que é o grande diferencial de uma campanha.

Para fugir dessa dependência de publicidade, creators (e as marcas) embarcaram e apostaram forte, em um outro segmento.

Finalmente o mercado conseguiu provar a efetividade do modelo de afiliados, apontando os programas da Amazon, Shopee, Magalu e Mercado Livre, como os catalisadores desse modelo de negócio no país.

No estudo da Business Model, o Brasil já está entre os 15 países que devem impulsionar o crescimento do social commerce.

A Ásia-Pacífico domina o mercado global: em 2024 representava cerca de 71,6% da receita mundial de social commerce.

Isso acontece porque as redes conseguem encurtar a jornada de compra: inspiração → descoberta → checkout, tudo sem sair do feed.

E chegou mais um: o Youtube Shopping vem para revolucionar, sendo a única plataforma que conta com vídeos longos e curtos; ele se junta ao ramo do social commerce e aceita o desafio de se tornar um dos gigantes.

Permitindo a criação de programas de afiliados dentro da plataforma, com a intenção de simplificar a jornada de compra e ainda a inserir em um contexto de comunidade.

Atenção virou commodity  
71% da audiência está cansada de ver muita publicidade feita por influenciadores ("Efeito Influência e Consumo, YPX + Nielsen).

Isso comprova algo que, há anos, falamos por aqui: influência não é mídia barata pra comprar view e impressão. Em 2026, essa lógica entra oficialmente em crise e a equação é: conexão + confiança + comunidade = capital social e econômico.

Nessa linha de debate sobre a disputa por atenção, a palavra "parassocial virou o termo do ano no debate cultural. Basicamente, "uma relação parassocial é uma não-relação". Isso porque vivemos em tempos em que você diz que não tem amigos, mas gostaria de ser amigo da Taylor Swift. E até de gente meio "Lelé da cabeça" que inventa de casar com Inteligência Artificial.

Por um lado, a gente ganha muito mais opções de conteúdo pra consumir, o que é legal porque abre espaço pro debate, pra novas ideias e não uniformiza o pensamento em uma só massa. Embora, o tiro acertou no pé.

Tem gente que conversa menos, se fechou em bolhas ainda mais restritas e não nos damos ao luxo de fugir dessa zona de conforto.

Isso provocou uma saturação geral das pessoas e, por consequência, a queda no engajamento. Muitos creators culparam o algoritmo, mas poucos olharam pro que estão produzindo na tentativa de fazer algo diferente.

Como você é uma pessoa de confiança, aqui vai um SPOILERZÃO de um conteúdo de fim de ano: “Parassocial” é a palavra.

"Eu queria expurgar da Creator Economy em 2026 a galera ficar reclamando de algoritmo 24 horas por dia. A gente fica tirando a responsabilidade de olhar pra si e ver como eu posso melhorar meu conteúdo. Não é céu nem terra: nem se culpar 100%, mas também não terceirizar essa responsabilidade."

Disse a creator Beta Boechat, no YPX Summit.

Por essas e várias outras, vai chegando o fim da linha do tal combo "1 post no feed + 3 stories". Cadê as conversas sobre construção de marca, o real propósito do marketing de influência? Ninguém mais tá a fim de dar play em #publi, porque logo de início já dá pra ver que é. Quando a gente engaja, é no máximo porque gosta do creator e "queremos ajudar". Que vida essa hein, de dar likes por dó... faz muito mais sentido desenhar arcos narrativos. Influência relevante é construída com tempo, não dropada de qualquer jeito no feed.

Lançando a pré-candidatura.

Um ano novinho pela frente que se inicia, e junto com ele as melhores parcerias serão com quem abre espaço real para a cocriação: participação em roteiro, narrativa, produto, comunidade e até soluções para afiliados.

Do lado das marcas, isso implica desapegar de controle total e aceitar que criadores não são atores lendo script, são intérpretes culturais.

Precisamos de mais autenticidades nas redes e tem muita gente boa nessa missão. Bora valorizar quem nos valoriza como audiência?

"A Creator Economy vive um paradoxo: enquanto uns constroem futuro com ética e profissionalismo, outros lucram no presente com oportunismo e descaso. E o mercado ainda aplaude os dois."

Prepare-se... 2026 será um ano daqueles.

Vem Aí: o fim de estratégias rasas, mudança do foco em número de seguidores pra pensar em contexto de nicho, novelas verticais, deep fakes melhores do que nunca, jornalismo de creators, afiliados, regulamentação das redes.

Profissionalização dos creators, SXSW, Cannes, Oscar e Golden Globes (lá vamos nós no insta da Academia de novo), novas formas de monetização, debate sobre crianças nas redes, nepoinfluencers, mensuração, saturação das redes, ferramentas de otimização, IA como aliada (e não substituta), amadurecimento da Creator Economy, eleições, creators-candidatos ou candidatos que mais parecem creators?

Copa do Mundo, BBB e muito mais, começando com tudo em janeiro. Aquela primeira fofoca do ano que sempre rola, quando mal voltamos aos trabalhos.

Uma coisa é certeza: seguimos tentando, servindo como um farol quando esse é o assunto. Obrigado, 2025: foi um enorme aprendizado. A luta continua.

Ao infinito e além 🚀

Tamo junto.

Pra cima!

Um salve para o time YPX pelo report <3

Para conferir mais: clique aqui.

Leonardo Coletti

Leonardo Coletti

Jornalista, DJ e Creator.
Brazil