Sim, ele acabou.
É o fim do Carnaval.
Mas muita hora nessa calma.
Que a gente entrega um alento nessa quarta de cinzas.
Todo mundo brinca que “o ano só começa depois do Carnaval”, então assim, sinceramente, você não tem mais desculpas pra não mergulhar de vez nos seus projetos de 2026. Pra isso você precisa de estratégia...
Então bora aprender pra fazer a influência funcionar!

Espero que você tenha passado alguns dias longe das telas. Espero.
O Carnaval sempre foi uma festa pra “se esconder”, mas hoje é pra performar.
O jornalista Gabriel Dias contou que aprendeu, em um curso do historiador Luiz Antonio Simas sobre Carnaval, que a festa criada pra gente desaparecer hoje é usada pra se expor (até demais).
O Simas fala que isso se deve ao impacto da produção e consumo nas redes sociais - traduzindo em tuitês, o "performar":
"O Carnaval saiu da festa do 'não me encontrem' para o 'me encontrem, saiba onde estou, como estou fantasiado, a hora que cheguei e a hora que vou sair do bloco".
O Gabriel também cita uma fala do Gregório Duvivier em que o ator diz que, nem sempre, quando você tá vivendo um momento mágico ali no bloco, significa que filmado e postado vai transmitir a mesma magia - tem muito músico amador, tem gente berrando, esbarrando, tem câmera que borra e mais um montão de coisa ali na hora. “Não passa na prova do vídeo de quem tá sóbrio em casa”, ele completa.
Dito isso: por que a gente precisa postar até quando era pra gente desaparecer?
Também não precisa sumir completamente todos os dias. Até porque ninguém (que toma um negocinho ao longo do dia) vai chegar em casa e ler Crime e Castigo ao som do tilintar das madeiras queimando na lareira - isso sim seria performar, postando ou não. É pra essa hora que ver o que rolou em outros carnavais pelo Brasil serve. Pra ver uns vídeos engraçados, uns memes, um pessoal dando dica de bloco, de fantasia… não é pra nunca mais usar celular e redes sociais, o grande ponto da parada é encontrar uma frequência saudável pra fazer isso.
Só que não dá também pra ficar martelando sempre os mesmos assuntos. Na pandemia, é óbvio que o tempo de tela aumentou pra todo mundo, porque ganhamos um tempo considerável na rotina que não podia ser usado pra coisas normais ou atividades fora de casa. Aí depois que a gente retomou a vida, percebemos o quanto a gente ficou dependente das telas e aí virou uma questão incansavelmente discutida até hoje. Mas até quando a gente vai ficar só falando o que precisa mudar, ao invés de simplesmente desligar o telefone um pouquinho?
Parece que o tempo de tela em si não é o problema, mas sim a ideia que a gente tem do quanto tempo passamos nas telas e como isso afeta a nossa vida.
Talvez você não seja viciado(a) em telas
Outro dia estava assistindo reportagens pelo YouTube - aliás, uma ótima maneira de se manter informado, sem precisar assistir os jornais todos os dias - eis que apareceu uma do SBT, em que o apresentador começa dizendo:
“Eu quero te pedir um minutinho da sua atenção pra te propor um desafio. Aceita?”
Só nessa frase ele já tinha ganhado a nossa atenção porque quebrou o ritmo tradicional de um jornal de tevê. No que ele continua:
“Se você estiver mexendo no seu celular neste momento, tente deixar o aparelho de lado, longe do alcance dos seus olhos e das suas mãos, pelo menos até o fim da próxima reportagem [8:49 de duração]. Será que você consegue?
A primeira entrevistada mostra o tempo de tela no celular: a média da semana estava em 9 horas e 20 minutos. Talvez você ache que ficar tanto tempo assim no telefone só pode ser pra quem é muito novo, muito velho ou desocupado. Mas até você que trabalha 8 horas por dia (ou mais) deve bater umas duas ou três horinhas fácil desde a hora que você acorda, até a hora de dormir - e esse número pode ser ainda maior caso você mantenha seu celular perto da cama.
Muita gente costuma não sentir que passa muito tempo nas telas porque não considera WhatsApp como tempo de tela, por exemplo.
“Se eu tô conversando com alguém, ou resolvendo algo importante, é tempo ruim de tela?” Não necessariamente ruim, mas é tempo de tela.

Mas calma, nem tudo está perdido.
Uma reportagem do g1 mostrou um estudo do Scientific Reports, que fala que as pessoas 'subestimam o próprio vício'. Em resumo, só 2% dos analisados apresentaram reais sintomas de vício em tela, enquanto pelo menos 18% se achavam viciados. A reportagem ainda fala que, quando a gente rotula um comportamento como "vício", pra nossa mente parece ainda mais difícil mudar.
A moral da história é que, provavelmente, a maioria das pessoas não têm um vício em telas, mas um hábito: assim que acorda, ou quando entra no transporte público, quando engata na fila de alguma coisa você, automaticamente, abre o Instagram. Mas, segundo a pesquisa, isso não é patológico.
Dentre as dicas pra mudar esse hábito, não mexer no celular ao acordar e antes de dormir, além de reduzir as notificações - principalmente as que não são urgentes, ajudaria bastante. Lembre-se: hábitos podem ser reprogramados.
Então eu espero (de coração), que você tenha ficado mais off das telas nesse e nos próximos Carnavais. Que tenha postado o lookinho (que deu trabalho pra fazer!), mas do jeito ‘postei e saí correndo’. Que você tenha visto o que seus amigos fizeram nos dias, mas sem se comparar achando que a folia do outro foi mais maneira que a sua. Que você tenha tirado um tempinho pra rolar o feed sem preocupação, mas que não tenha ficado duas horas seguidas fazendo isso.
E se não rolou fazer nada disso, espero que você tire hoje, quarta de cinzas, trabalhando ou não, pra se preservar um pouquinho das telas.
2026 está só começando...
Um Feliz Ano novo!
Forte abraço.
(Texto inspirado na News #44 da YOUPIX. Para aprofundar os assuntos, corre pro @instayoupix e receba, em primeira mão, o olhar de todo time da YPX :)
Para entender melhor: clique aqui.