A palavra tem peso
Houve um tempo (ainda no analógico) em que era preciso olhar pra fora para aprender a fazer o nosso ecossistema crescer… e nós estávamos lá!
Não só olhando para o que o mundo sinalizava, mas ajudando a criar uma ponte pra exportar o nosso talento e estratégia, reconhecidos no mundo inteiro como supra sumo de criatividade.
Agora bora pra uma viagem no tempo?
Quem lembra de quando criar conteúdo não tinha modelo de negócio?
Acompanhamos de perto cada virada de chave do nosso ecossistema, que ajudou o Brasil a virar uma potência na Creator Economy global
Na virada do milênio, cada vez mais brasileiros passaram a ter acesso à internet, ainda que não dentro de casa. Havia aula de computação nas escolas, as lan houses bombavam e os amigos com computador em casa chamavam o resto da galera pra ver a tecnologia nascer.
Já falamos em um textão sobre a Sonia do Iutubiu, um dos primeiros memes da internet brasileira. Na época, era comum a gente se reunir ao redor do PC para mostrar vídeos engraçados ou músicas, no YouTube. Faz tempo né? Esse é o ponto de partida da nossa linha do tempo da Creator Economy brasileira.
1ª Era: Websfera (1990 - 2000 e tanto)
Todo mundo virou criador de conteúdo. Parece estranho falar desse cenário há 20 anos, quando a sensação é que HOJE todo mundo é creator. Do influencer à pessoa que vende docinhos na internet, passando por você que postou um story de xícara de café pra 57 pessoas hoje cedo, todo mundo tá criando algum tipo de conteúdo - ainda que não ligue pra atenção que pode receber.
Mas, lá atrás, surgiram os blogs, Orkut, Fotolog e afins. Estávamos felizes em publicar e ter pessoas lendo a gente. Talvez o sentimento mais nostálgico dessa época era o de “se desligar” da internet por completo. Quando desligava o PC ou ele travava do nada e nem com chute resolvia… a gente ia fazer qualquer outra coisa. Que, ok, podia ser ver TV. O tempo de tela já era um probleminha. Mas você não carregava a internet com você pra qualquer lugar, como a gente naturalmente se acostumou a fazer hoje.
Isso sem contar que, apesar dos poucos views, a internet ainda era bastante inacessível pra maioria da população. Nada comparado ao que é hoje. Por isso mesmo, esses cantinhos virtuais dos blogs eram tão especiais e geravam uma conexão sólida entre audiência e autor.
2ª Era: Influencers (2014 - 2020)
Aqui foi onde os YouTubers brilharam: nasceu o Digital Influencer, com pessoas acumulando audiência e ganhando dinheiro com as marcas e AdSense. Queríamos ser notados, fato.
Foi a grande virada de chave do amador para o profissional. Tanto é que a gente permanece muito mais tempo na primeira Era, do que nesta segunda. Os avanços começaram a acontecer numa velocidade exponencial, cada vez maior. Com a consolidação do YouTube, Instagram e Facebook, nasceu essa figura do digital influencer.
Pela primeira vez, pessoas comuns começaram a acumular audiências comparáveis (muito modestamente, mas imagina só o trampo que dava) às de canais de TV e a entender que dava pra ganhar dinheiro com isso. Todo mundo queria ser "notado pela marca" e provar que audiência digital gerava valor real.
3ª Era: Empreendedores(2021 - 2023)
A pandemia trouxe milhares de pessoas pra era digital, na expectativa de monetizar suas paixões, ou se reinventar no trabalho. O impacto dessa era curtíssima é gigantesco, justamente porque todo o mundo estava conectado nesse período de isolamento social. Foi também a época em que a Gen Z chegou ao mercado de trabalho - mas não pra trabalhar em empresas, mas sim, pra se tornar um creator e viver do seu conteúdo.
4ª Era: Startups
A gente já discutiu se a Creator Economy tinha chegado na sua fase de maturidade.
Finalmente, nosso mercado tem seu nome reconhecido como oficial e passa a atrair investidores de peso. Tanto é que, ano após ano, pesquisas mostram que cada vez mais empresas estão investindo mais no marketing de influência - a grande barreira continua sendo a mensuração, porque há muito anseio em soltar logo uma campanha com um creator, achando que o engajamento vai cair do céu; mas pouco interesse, ou ferramentas disponíveis pra medir, por vários ângulos, o quanto aquela campanha impactou.
Tem mais gente operando no mercado, vindas das dores dos creators ou da observação do nosso mercado, as startups estão consolidando um ecossistema ainda maior de empresas na Creator Economy.
Tem muito mais gente operando nesse ecossistema, e a partir das dores diárias dos creators ou da observação atenta da indústria, surgiram startups dedicadas a consolidar esse ambiente. Fintechs pra creators, plataformas de gestão, inteligência de dados, curadoria e agências estruturadas.
"Tem 20 milhões de creators no Instagram, mas vai ter um que chama a atenção. Por quê? Porque ele não é a cópia de ninguém, ele não é uma tentativa de ser uma versão melhorada, piorada ou diferente de alguma coisa."
✍️ Essa foi uma das canetadas da Rafa Lotto, CEO da YOUPIX, para ajudar a entender um pouco melhor, na prática, as transformações da Creator Economy ao longo das últimas duas décadas.
75% dos Millenials e Gen Z no Brasil tem o sonho de se tornar creators/influencers.
Fonte: Inflr.
Esse dado mostra que, diferente do sonho vendido para os Millenials, de que um curso superior garantiria oportunidades e uma carreira estável, a Gen Z não cai mais nesse conto e já viu que a criação de conteúdo representa um atalho muito rentável - mas quantos são os que chegam a viver só com a renda de creator?
A pesquisa Creators & Negócios 2025 mostrou que mais da metade dos creators (53%) precisam de um trampo CLT pra compor renda com a criação de conteúdo.
Foi por aí que o termo influencer começou a soar curto demais pro tamanho do negócio.
E a gente sempre destacou a importância do termo creator e, mais importante, para estudar e colocar em prática uma estratégia de empreendedor na criação de conteúdo.
Depender exclusivamente de publis (alô #publidependência) e do algoritmo é um risco alto demais.
Dessa dor, surgiu a demanda pra diversificar receita e criar marcas próprias, produtos físicos, digitais, cursos, plataformas de assinaturas e ecossistemas de negócios que rodam independentes das plataformas, como os links de afiliados.
IA para vender produtos furados
Talvez você já tenha recebido, de algum familiar ou amigo, um vídeo de algum médico ou influencer fake indicando a compra de um medicamento ineficaz.
Ainda que criados por Inteligência Artificial, os vídeos parecem extremamente reais, o que não levanta suspeitas sobre a eficácia dos remédios, principalmente entre as pessoas mais velhas.
Assim como fez o New York Times nos EUA, a BBC também produziu uma reportagem falando sobre essa onda de conteúdos falsos sobre saúde aqui no Brasil: o objetivo é engajar principalmente com o público da terceira idade, fazê-los assistir vídeos até o fim e comprar produtos diversos.
Porém, por um outro ponto de vista sobre esse caso chama muita atenção: e se esses influencers e médicos, gerados por IA, fossem pessoas reais, mas com o mesmo discurso? Claro que elas poderiam ser denunciadas e presas, inclusive com os conteúdos sendo retirados do ar. Mas e se várias pessoas caírem no papo e comprarem os medicamentos? O estrago já vai ter sido feito.
Por isso, a crise de desinformação sobre os conteúdos de IA vai além de uma etiqueta que indique um vídeo artificial - as pessoas precisam aprender a desconfiar do que pode ser fake, pra não serem induzidas ao erro.
“Nós estamos na ‘Era da Influência’”, explica o recém-aposentado âncora do Jornal Nacional.
Durante uma fala no SP2B, William Bonner citou que, hoje, muitos influencers manipulam os conteúdos para prender a atenção da audiência a qualquer custo - ainda que a informação seja só parcialmente verdadeira, ou totalmente confusa.
De fato, vivemos essa “Era”, que nós conhecemos bem como Creator Economy, né?
E esse debate corrobora, em ano de eleição, pra nossa conversa sobre como o jornalismo pode recuperar sua credibilidade entrando na dinâmica das redes.
💡 Um farol do mercado
Quantos creators que você acompanhava há 10 anos ainda continuam na ativa? Cada um tem sua visão de sucesso, mas em todos os casos, ele precisa durar.
Atravessar todas essas eras não foi simples, nem passou rápido. Exige até hoje dos players desse mercado profissionalização, aprendendo com os erros, testando modelos e estratégias que nem sempre vão funcionar, fazer gestão de crise e manter um esforço contínuo pra provar que criar conteúdo é trabalho sério.
Se a gente esteve ao lado de creators, vendo eles nascerem; guiando as marcas pelas transformações do marketing de influência e apoiando agências durante cada um desses passos, nada mais justo celebrar essa trajetória.
Tudo movido pela força das comunidades.
Afinal, ninguém faz nada sozinho, lógico.
Nossa herança dos blogs =))
(Texto inspirado na News #68 da YOUPIX. Para aprofundar, corre pro @instayoupix e receba em primeira mão, o olhar do todo o time YPX :)