De olho no Oscar

Creator Economy e a cultura brasileira.

Dupla que nos colocou na mira dos holofotes.

A influência dos brasileiros não-creators têm crescido cada vez mais pelo mundo - e conquista corações por onde passa.

A creator inglesa Tati Kapaya mapeou as últimas 4 décadas na cultura pop e identificou um padrão interessante: os anos terminados em "6" são marcantes, ou na real mudam a nossa percepção do que é “ser marcante"?

A proposta dela é interessante porque chama atenção pra um recorte específico, mas que poderia ser outro. Por si só, os anos com final "0" já são um marco - eles é que delimitam o início de uma nova década, em termos históricos.

Geralmente, é assim que dividimos movimentos culturais e épocas, como os "anos 90", por exemplo. Se a gente escolhe qualquer outro número final, também vamos encontrar eventos marcantes em outras décadas, mas esse recorte cultural do ano 6 é massa demais.

Principalmente porque, acreditando nessa teoria, a gente têm nas mãos a possibilidade de fazermos de 2026 um ano de ouro - e olha que já começamos bem trazendo dois Golden Globes pra casa.

E claro que ela fala de uma ótica gringa, e sequer levou em conta, o fato de que em 2016 a gente viveu um impeachment que ficou marcado como o auge da polarização política no Brasil neste século. Não só filmes e músicas, mas os acontecimentos sociais e políticos também moldam (e muito) quem a gente é.

A Tati diz que, na cultura de hoje em dia, "tudo parece político... porque é". Finalmente a sociedade está fazendo as perguntas difíceis. Ela também chuta que vai ser uma década marcada por um número menor de produções, o que devolve aquele senso de conteúdo de massa, do tipo todo mundo saber o que tá rolando na novela, ou todo mundo ter visto o mesmo filme que marca essa geração, ou aquela artista que tá todo mundo ouvindo.

Por um lado, é legal termos democratizado a produção audiovisual e não sermos mais reféns só da programação de poucos canais de TV, mas, por outro, a gente se entocou em nichos e nem sempre isso é bom.

Sendo assim, não tem hora melhor pra cultura brasileira viver um ano “6” do que agora: depois de um Globo de Ouro e um Oscar no ano passado, com “Ainda Estou Aqui”, chegou a vez do filme “Agente Secreto” fazer história e ganhar os prêmios de melhor filme estrangeiro e melhor ator de drama, com Wagner Moura.

O ator baiano partiu numa verdadeira saga em dezenas de entrevistas para programas de TV estadunidenses, revistas e jornais que mostram como a gente tem o molho - incluindo um dos maiores jornais do mundo, o New York Times, que de quebra ainda apontou ele como o principal candidato ao Oscar de melhor ator.

Esse período, aliás, é o que a turma do cinema chama de “campanha”: depois de ir para as telonas, a equipe do filme e, principalmente, os protagonistas, dão uma porrada de entrevistas pra levar a palavra do filme adiante e, por incrível que pareça, pasmem, em alguns casos funciona.

Com a noite histórica no Globo de Ouro no último dia 11 de janeiro, o filme registra a sua melhor bilheteria desde novembro, quando estreou nos cinemas.

O movimento vai de encontro com algo que o internauta assíduo já sabe: em junho de 2025, durante a cobertura de Cannes Lions, a gente contou que a creator Camila Coutinho levantou a bola da nossa cultura e disse que “we have the molho”.

Ela disse no contexto da Creator Economy global e explicou como a nossa criatividade, muita vezes movida pela falta de recursos, é referência no mundo.

Fato que somos donos de uma das maiores fatias do mercado global de criação, isso a gente sabe, mas parece que essa influência cultural vai se expandir rápido pra outras áreas.

Se numa ponta a gente tem o tal do molho, na outra a gente tem o carisma: um artista gringo sabe que zerou a vida quando seu Instagram começa a ser inundado por pedidos de "Come to Brazil". O meme virou nome de página e esse nosso jeitinho pedinte funciona demais.

Tem gente chatérrima, tipo a Adele, que é daquelas que faz "Global Tour" que não sai de Londres, e as do tipo Rosalía e Shawn Mendes, que jajá é capaz de pedirem cidadania brasileira.

E, na boa, isso não é de hoje. Madonna e Lady Gaga lotaram Copacabana, mas Rod Stewart e Rolling Stones fizeram o mesmo há décadas.

Afinal, convenhamos, quem é que não quer ter uma fanbase fiel, apaixonada e engajada assim como a nossa?

Podemos trazer o primeiro Oscar pra casa.

Será que finalmente chegou a hora?

Não duvide, acredite.

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